domingo, 14 de novembro de 2010

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Punição, prisão, expulsão da corporação. Essas são, segundo a própria Polícia Militar, as medidas tomadas pelo comando das Polícias Militares frente a episódios de corrupção e outros desvios de conduta envolvendo oficiais e praças da corporação.
A sociedade se exaspera, se manifesta, cobra punição – como, por exemplo, no recente caso da morte de Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, quando dois policiais teriam recebido propina para liberarem o motorista que atropelou o jovem.
De prevenção aos desvios de conduta por parte dos PMs, pouco ou nada se falava na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Segundo a PMERJ, desde 2007 foram expulsos 757 servidores – só em 2010, entre os meses de janeiro e maio, foram 47 expulsões. Ainda de acordo com a corporação, o principal desvio de conduta cometido pelos policiais militares é a concussão - uso do cargo para tirar vantagem.
Para tentar mudar esse quadro, a PMERJ lançou o Programa de Prevenção ao Desvio de Conduta Policial Militar cujo objetivo é promover junto aos policiais uma reflexão sobre os prejuízos causados à sociedade, aos integrantes da corporação e aos seus próprios familiares pelos seus desvios de conduta. Além disso, o programa visa a resgatar os valores morais e a conduta ética necessária à profissão de policial militar.
O pacote conta com workshops, atividades lúdicas e interativas, exibição de curtas-metragens educativos (exibidos durante os horários de almoço ou trocas de serviço) e um programa integrado de valorização do policial militar.
A principal atividade do programa é a peça “O preço de uma escolha”, “de caráter completamente inovador na PM e muito diferente das habituais construções doutrinárias voltadas para os policiais”, como definiu o comandante-geral da PMERJ, coronel Mário Sérgio Duarte (foto acima), na apresentação de estreia da peça – que marcou também o lançamento oficial do Programa de Prevenção.
Uma peça de e para PMs
A peça conta a história de uma família em que três irmãos são policiais e têm no pai, também policial, a maior referência. Um dos irmãos se envolve em um crime de sequestro e é preso. A peça mostra a crise na estrutura familiar que este episódio gera e as reflexões de cada personagem. Escrita e dirigida por um policial militar, o sargento Sidney Guedes, o roteiro é encenada por PMs do grupo cênico “Disse que”.
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“Trabalhei profissionalmente com teatro fora da corporação, conciliando atuação e direção com a escala de trabalho na PM. Por isso, poder fazer teatro dentro da corporação, para mim, é uma alegria – porque vejo que predomina um pensamento de avanço”, comemora Guedes, que também é professor de teatro do projeto Echoa. O sargento já trabalha com dramaturgia desde 1984, antes mesmo de se tornar policial militar, e atuou e dirigiu em casas como o CCBB e o Teatro Bibi Ferreira.
Guedes diz ter encontrado um grupo de atores comprometidos com a proposta da peça. Para ele, isso explica o ótimo resultado conseguido em tão pouco tempo. Mesmo sem nunca ter atuado profissionalmente, o elenco levou apenas dois meses para ensaiar e colocar a peça em produção.
O soldado Fábio Sarmeiro, que representa o irmão mais novo, acredita que a peça vai dar resultado justamente por não ter um viés moral, mas de estímulo à reflexão. “A peça ilustra uma situação muito real. Isso é o que vemos no dia-a-dia na ruas, não tem jeito, a gente vê amigos serem presos. Se temos como dar um recado usando uma ferramenta inusitada e poderosa como o teatro, isso é ótimo”, afirma Sarmeiro. O elenco da peça conta ainda conta com mais cinco policiais militares: os sargentos Kátia Cavassa, Paulo Roque e Denise Branquinho, e os cabos Marcos Passos e George Fonseca.
teatro_PM_plateia_edit.jpgO Programa de Prevenção ao Desvio de Conduta Policial Militar tem o objetivo de criar fatores de proteção comportamental, dando ênfase à valorização dos recursos humanos da corporação. A capitão Silvana Couto Chaves, que faz parte da equipe do programa, contou que o primeiro workshop sobre gestão de pessoas, voltado para os comandantes e chefes das seções de pessoal dos batalhões, aconteceu também em julho.
“O intuito destes encontros, que continuarão acontecendo daqui para frente, é que os comandantes e chefes de pessoal aprendam a identificar a personalidade de cada policial dentro de sua unidade e quais fatores podem levar esse policial a sair de seu equilíbrio. Assim, os PMs podem ser designados para trabalhar em áreas nas quais estejam menos expostos”, conta.
Ela explica que fatores como estresse, baixas auto-estima e qualidade de vida no trabalho levam os policiais a praticarem desvios de conduta. Os baixos salários também, mas estes, segundo a capitão Silvana, não estão na alçada da atuação do Programa de Prevenção ao Desvio de Conduta Policial Militar. “Ofereceremos unidades com alojamento e alimentação, melhoramos a escala de serviço, oferecemos uma semana de saúde na unidade. Enfim, tentamos trazer melhorias à qualidade de vida do policial militar, que é uma maneira de inibir os fatores que os levam a cometer desvios de conduta”, comenta.
capitao_diretor_edit.jpgA peça fará parte do dia-a-dia das corporações daqui para frente. De acordo com Silvana, a partir de agosto, já se inicia um calendário de apresentações em todas as unidades da corporação, começando pelas unidades de ensino. “Como o público-alvo da peça é o policial, nosso objetivo é que todos eles possam assistir à peça, para que possam fazer uma reflexão sobre as consequências de suas escolhas”, afirma.
Para o diretor da peça, sargento Guedes (na foto com a capitão Silvana), algo muito comum entre os policiais que cometem desvios de conduta é ostentar uma posição, ter status e poder. Segundo ele, os policiais que estão cometendo desvios de conduta começam a ostentar esse estereótipo. “Hoje somos respeitados pela nossa capacidade de consumo. Se você consome, você é alguém”, explica.
O coronel Carlos Eduardo Millan Guimarães, atual chefe de gabinete do comandante Mário Sérgio Duarte, ressalta que o desvio de conduta é, muitas vezes, não só um erro da polícia, mas da sociedade em geral, que também participa da corrupção e que muitas vezes julga o policial, se esquecendo que ele também faz parte da sociedade. Ele acredita que uma mudança na PM requer a participação de todos.

Polícia monta peça de teatro no Carlos Gomes contra a propina

Publicada em 28/07/2010 às 22h55m
Martha Neiva Moreira
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  • MÉDIA: 5,0
RIO - O palco onde grandes nomes do teatro, como Dulcina, Ítala Fausta e Bibi Ferreira, interpretaram clássicos da ficção cedeu espaço na tarde desta quinta-feira para policiais militares encenarem uma tragédia da vida real. Sem cenário e contando apenas com um refletor de luz, quatro sargentos, um cabo e um soldado, todos da ativa, estrearam, no Teatro Carlos Gomes, no Centro, a peça "O preço de uma escolha". O roteiro é conhecido: trata da história de um policial envolvido em um caso de corrupção. E a ideia de levá-la ao palco foi do alto comando da Polícia Militar, que lançou, em abril, o Programa de Prevenção ao Desvio de Conduta, do qual a peça é uma das principais ferramentas.
- Até então, tínhamos apenas formas de punir. Desde abril, estamos investindo na prevenção, incentivando o policial a pensar qual o seu papel e sua responsabilidade social - disse o coronel Mário Sérgio Duarte de Brito, comandante-geral da PM, para quem a sociedade também deve refletir sobre o pagamento de propina. - A população também tem um papel e deve pensar a respeito. A corrupção tem dois lados: o corrompido e o corruptor.
A peça, dirigida pelo sargento e ator profissional Sidney Guedes, durou 40 minutos e foi assistida por cerca de 500 policiais.

Polícia do Rio monta peça de teatro contra desvio de conduta


Palco de obras da ficção, o teatro Carlos Gomes, no centro do Rio, cedeu espaço para um retrato da vida real. Policiais militares da capital fluminense encenaram no local "O Preço de Uma Escolha", peça criada para mostrar como pode ser devastadora uma prisão ao policial corrupto.

Usado também para melhorar a imagem da corporação junto à opinião pública, o espetáculo faz parte do Programa de Prevenção ao Desvio de Conduta, lançado neste ano pela Polícia Militar.

Dirigida pelo sargento e ator Sidney Guedes, a peça contou em sua estreia, nessa quarta-feira (28), com a presença de aproximadamente 500 policiais na plateia. Veja mais na reportagem da TV UOL.